Dom Bosco, educador e grande conhecedor da realidade juvenil de seu tempo, escreveu pouco sobre educação. Os primeiros salesianos muito entesouraram de sua prática educativa. A eles transmitiu um método simples, concreto e exigente, inspirado nos valores antropológicos do Evangelho de Jesus e vivido com profundo respeito à pessoa do educando e conhecimento de seus dotes, possibilidades, fraqueza e grandeza. O horizonte de sua ação foi a inserção social e a destinação transcendente de cada adolescente e jovem. Soube formá-los para serem conscientemente úteis à sociedade. Ajudou-os a transformar suas potencialidades em competências de cidadãos conscientes, honestos e solidários.

 

Para Dom Bosco, educação é missão e arte sagrada. E educador é mais do que um profissional. João Bosco observou, refletiu e agiu. Aos desafios deu respostas rápidas, concretas e apropriadas, iluminadas pela convicção que possuía da sacralidade da pessoa humana, por mais precária que fosse a realidade de vida dela. Aos mais frágeis socialmente deu também maior atenção e guarida.

 

Ciente de que a pessoa vive cada etapa da existência uma única vez, e que o momento posterior será melhor se o anterior foi sereno, seguro em princípios, e menos marcado por erros e traumas, convertia qualquer situação em oportunidade positiva de educação.

 

Para continuar sua obra, fundou a Sociedade de São Francisco de Sales, composta de irmãos leigos e sacerdotes, aos quais chamou de salesianos. A eles deixou como maior herança um carisma e um estilo pedagógico peculiar, o Sistema Preventivo. Esta pedagogia ilumina a Rede Salesiana de Escolas no Brasil, e nos cento e trinta e dois países onde estão presentes os salesianos.

 

As grandes forças do Sistema Preventivo de Dom Bosco:

a)      Razão: por ela são detectadas as motivações profundas da pessoa e indagadas causas e consequências do seu existir. Seu agir é iluminado; orientados os desejos e emoções, provocando o educando ao protagonismo responsável. Pela razão o educando se dá conta de sua importante e intransferível função de se educar e de ação no mundo, do qual conhece os acontecimentos, indaga e analisa os porquês e procura interferir neles como maduro cidadão.

b)      Religião: com ela são pesquisados, cultivados, e expressos em vivências e ritos, a origem e o sentido transcendental do universo, da natureza, da vida e da ação das pessoas. Na religião o educando encontra alento para viver a esperança e a confiança cristãs, descobrindo o sentido dos esforços humanos para construir um mundo melhor.

c)      Amorevolezza: ela reveste de bondade, compreensão, misericórdia, compaixão e generosidade, as atitudes do educador. Visa ao amadurecimento do educando e ajuda-o a formar personalidade forte, emocionalmente equilibrada, criativa, participativa e promotora do bem, da justiça e da paz. A amorabilidade (amorevolezza) dá equilíbrio à lógica da razão, humaniza os relacionamentos e desperta o coração para o transcendente.

 

A justa e acertada aplicação desses três princípios na família e na escola, trará bons resultados ao processo formativo das novas gerações.

 

Para Dom Bosco, observar esses três elementos a partir de gabinetes, laboratórios e da cátedra escolar não basta. Há necessidade da presença dedicada, atenta, amorosa e contagiante de pessoas significativas nos ambientes onde acontecem as relações educativas. Adstrito à sala de aula, o educador é instrutor. Nos diversos, tradicionais e “novos” pátios, ele é o irmão maior e adulto, que procura ter a palavra justa no momento certo. Ele protege, orienta, corrige os educandos com mansidão, coragem, firmeza e constância.

 

 

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